A Natureza sempre ocupa o seu lugar.

Há uns anos vivi uma situação que nunca passou pela minha cabeça que fosse possível pra mim. Aliás, nunca passou pela minha cabeça e ponto.

E até momentos antes de entrar naquela piscina de gelo na altura do queixo, minha mente foi assaltada por flashes da ideia de que talvez não fosse possível pra mim.

Mas foi.

Existe uma palavra em sânscrito cujo significado cai como uma luva para o que quero partilhar: sādhana (साधनम् em devanagari).

Uma possível tradução para essa palavra é “ir direto ao alvo”. E como sânscrito é uma língua riquíssima e repleta de ensinamentos, podemos extrapolar este alvo para aquilo que é o nosso objetivo, o que queremos alcançar e principalmente aquilo que fazemos para chegar até esse lugar. A nossa prática pessoal.

Meditação é uma sādhana. Talvez uma das mais clássicas.
A meditação é o ícone da disciplina, da transformação.

Mas no início tudo parece estranho. Difícil de entender.

Alguns alimentam a expectativa de que tudo mude, que uma mensagem seja enviada ou de que vai haver um movimento diferente na vida exatamente após abrir os olhos. E se eu lhe disser que existem práticas meditativas onde não se fecham os olhos? Complicou pra você? Não pense assim.

Mas então professora, o que é meditar? O que acontece com a gente?
Essa é uma pergunta que escuto muitas vezes, acompanhada da ideia equivocada de que há pessoas que não são capazes de meditar.

Acho que a minha resposta quase sempre decepciona.

Meditar é sobre um impacto gradual que o silêncio vai produzindo na mente e na nossa maneira de olhar para a vida. Meditação não é um ato isolado do que a gente vai fazendo no nosso dia. Meditação está presente em qualquer grupo espiritual. É um processo amplo e rico com imensas possibilidades. E diferente do que possa parecer está completamente desconectado da ideia de obrigação, de peso. Quando abrimos a nossa mente para o silenciar, para a pausa, torna-se imensamente prazeroso e aí nos apaixonamos.

Sugestão: desprenda-se da ideia de que este silêncio, este momento de meditação deve ser feito no alto de uma montanha e você deverá estar vestida de branco com flores na cabeça. Não! Ele pode acontecer dentro do ônibus, num intervalo do seu trabalho ou simplesmente sentada no sofá da sua casa. Meditação é um rito interno, que se faz necessário para encararmos a desarmonia com a qual inevitavelmente entraremos em contato em algum momento do nosso dia.

Vamos pensar na mente como um músculo. Quanto mais o exercitarmos, maior será a nossa capacidade de concentração de absorção e autodomínio.

O silêncio nos leva para uma viagem pra dentro de nós. E aos poucos vamos reparando em alguns sinais, como o amor progressivo à Natureza, o gosto por estar perto dela, a necessidade de se retirar em solidão por alguns dias e até escolhas novas que vão naturalmente acontecendo, escolhas por novas amizades, outras ligadas à alimentação, ao lazer e por aí vai.

Vamos nos tornando exploradoras do nosso próprio mundo interno.
E acho que eu sempre quis ser uma exploradora.
Eu quero que a minha vida tenha significado.
E acredito que você também queira isso.
Conectar-se com o silêncio.
Inspirar outras pessoas a fazer o mesmo.

Pode ser assustador pisar nesse campo desconhecido. Mas acredite que vale a pena. Às vezes a única coisa que temos pra fazer é nos entregarmos ao fluxo, deixarmo-nos ir pela corrente. Porque quando nos permitimos a isso conseguimos nos conectar verdadeiramente com quem somos, com a Natureza, com o planeta. E a vida torna-se fundamentalmente mais leve.

(Artigo escrito para o site wellbemestar projeto de uma amiga muito querida que tal como eu também está na caminhada de criação de uma vida com mais significado).

🫀Criadora do Aflora! Fotógrafa, Designer gráfico & Educadora. Apaixonada pela transformação que a criatividade humana pode realizar.

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Cristina Dantas

Cristina Dantas

🫀Criadora do Aflora! Fotógrafa, Designer gráfico & Educadora. Apaixonada pela transformação que a criatividade humana pode realizar.

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